Roteiros: Degustar Portugal com Rogério Ruschel

 

Winelands, a especialista em enoturismo de Excelência de Portugal, lança dois roteiros tendo como guia Rogerio Ruschel, editor de In Vino Viajas

Por Rogerio Ruschel

Meu estimado, leitor ou leitora, estou muito feliz e quero compartilhar com você esta alegria: realizando um sonho, estou lançando dois roteiros de viagens em Portugal dos quais sou o guia, projeto em parceria com uma das mais respeitadas agências de turismo receptivo do país. Há pelo menos três anos penso em montar um roteiro valorizando a cultura do vinho em terras portuguesas, muitos leitores e amigos me incentivavam e até tive convite para fazer isso, mas faltava algo que agora tenho: senioridade, experiência e um certo grau de humildade. Na foto abaixo, a Sala do Capitulo em Beja, capital do Médio Alentejo, onde já fui da comissão julgadora do concurso de vinhos Vinipax.

Pois é, finalmente depois de muitos anos conhecendo, perguntando e pesquisando e como resultado de uma viagem de 30 dias fazendo uma road-trip pelo país para visitas detalhadas, estão prontos dois roteiros de enoturismo e cultura do vinho em Portugal dos quais serei monitor: Degustar Portugal em Setembro (5 a 15/09) e Degustar Portugal em Outubro (10 a 20/10) by Rogerio Ruschel. Para chegar a eles me associei a DOC DMC-Winelands Portugal, empresa de turismo receptivo em Lisboa conhecida pela excelência de serviços, criada por Susanna Tocca, pioneira em enoturismo em Portugal.

Aos roteiros desenvolvidos por Susanna fui agregando sugestões do que eu mesmo gosto em Portugal (como os campos do Alentejo, na foto acima) e também as preferências de meus leitores, pessoas de bom gosto, e assim chegamos a dois roteiros feitos não para enólogos e especialistas, mas para quem sabe o que é um bom vinho e aprecia um bom prato da melhor culinária portuguesa.

Mas para agradar pessoas que além de comer e beber apreciam também paisagens, aldeias e recantos encantadores; arte, história e arquitetura marcantes e lendas e costumes de identidade territorial e comunitária.

A alguns dos melhores destinos enológicos agreguei alguns dos mais relevantes Patrimônios da Humanidade de Portugal – e tudo isso será apreciado sem correrias – como passeios de tuk-tuk no centro histórico do Porto, abaixo.

Se você está planejando viajar a Portugal este ano e quiser a minha companhia, esta é uma excelente oportunidade. São dois roteiros de 11 dias, em setembro ou outubro, all-inclusive, nos quais vou levar um grupo máximo de 16 pessoas em ônibus ou micro-ônibus de luxo para conhecer 8 vinícolas no Douro, Dão, Évora e Alentejo.

Vamos visitar 8 vinícolas de classe e com identidade territorial, todas com degustação e almoço, uma queijaria na Serra da Estrela (onde vamos conhecer simpáticas cabras como a que fotografei há 2 anos, na foto abaixo), a maior fábrica de cortiça do mundo e uma tanoaria que recupera barris de carvalho – além de passeios e visitas selecionadas em Lisboa e Porto, ao Lago Alqueva no Alentejo (foto acima) e ao vale do rio Douro (foto da abertura).

No roteiro vamos conhecer vários Patrimônios da Humanidade reconhecidos pela Unesco. Um deles começa em Porto (onde poderemos conhecer a Livraria Lello, uma das mais lindas do mundo e que inspirou as historias de Harry Poter, foto abaixo) e termina em Lisboa, e o outro faz o roteiro contrário – sem perda das atrações selecionadas e negociadas para os participantes. Também abaixo uma foto do Mercado Time Out em Lisboa.

Os pacotes incluem a hospedagem em hotéis com identidade e personalidade com, no mínimo 4 estrelas, todos os traslados e toda a parte terrestre; inclui a compra de passagens aéreas com preços especiais já bloqueados na TAP e são all-inclusive (exceto algumas refeições e despesas pessoais). Mas se você quiser utilizar seu programa de fidelidade para comprar as passagens não tem problema.

Vamos conhecer a estação de trem do Pinhão (acima) e duas das vinicolas mais badaladas do Douro (Quinta da Pacheca e a Quinta do Seixo – onde tirei a foto abaixo), e adegas excepcionais como a Casa do Santar, no Dão, a Herdade de João Portugal Ramos em Estremoz, e a internacional Herdade do Esporão em Évora (na foto abaixo, com o enólogo Rui Flores, da adega).

E certamente eu não seria guia de um grupo que não pudesse conhecer o Castelo de Monsaraz, no Alentejo (foto abaixo), um dos mais belos lugares de Portugal e onde – confesso – chorei de emoção quando lá estive pela primeira vez.

Tudo foi planejado em detalhes. Dos dois dias em Lisboa onde vamos visitar a sala de provas da ViniPortugal e explorar a cidade através dos seus miradouros, elétricos e elevadores degustando as melhores iguarias, reservei uma tarde livre para programas pessoais – e vamos sugerir vários, como a visita ao Palácio da Pena, em Sintra, abaixo – ou para relaxar no El Corte Inglês, a enorme e simpática loja de departamentos para você colocar algumas lembrancinhas na mala, a preços convidativos, antes de voltar para o Brasil.

Para manter o padrão profissional e o conforto dos meus convidados e facilitar a comercialização e a operacão do roteiro a partir do Brasil, eu e a Winelands fizemos uma parceiria com a Barbarela Turismo, especialista em Enoturismo em São Paulo, onde a Renata vai atendê-lo (a) com muita atenção e explicar as facilidades de pagamento, uso de cartões de crédito e tudo o mais que você precisar saber.

Assim temos especialistas em todo o processo: no emissivo, no roteiro e no receptivo. Se você gosta do que escrevo e acha que tenho tanto bom gosto quanto você, vem comigo. Vamos conhecer a Portugal que eu amo e degustar algumas das maravilhas daquela terra.

Baixe o programa detalhado aqui http://www.barbarelaturismo.com.br/

Entre em contato com a Renata da Barbarela Turismo aqui: renata@barbarelaturismo.com.br

Se preferir, fale comigo por SMS aqui +55 11 999 743 187                                                    ou por e-mail aqui: rogerio@invinoviajas.com

 
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Enoturismo em Portugal

 

 

Portugal é um país de forte tradição vitivinícola, e a excelente qualidade dos seus vinhos tem reconhecimento em todo o mundo, sendo numerosos os prêmios e distinções conquistados em concursos internacionais. E para os apreciar e conhecer, nada como visitar as regiões onde se produzem, sendo os vinhos um excelente pretexto para descobrir também as paisagens, o património, a cultura e as gentes que aqui vivem.

O Douro e o Alentejo são as regiões onde se concentra o maior número de espaços dedicados ao enoturismo, mas um pouco por todo o país, incluindo o Algarve, há unidades de produção vinícola que recebem visitantes, seja para conhecer as vinhas, a adega, provar os vinhos e, porque não, pernoitar e conhecer a região em redor?

É na região do Alto Douro Vinhateiro, criada em 1756, que se produz o vinho do Porto, desde sempre destinado à exportação. Não admira pois que aqui haja uma tradição secular de receber visitantes e de com eles partilhar o melhor da região. Desde logo a soberba paisagem do vale do Douro, onde o homem construiu socalcos para plantar vinha nas encostas duma região de solos agrestes. Deu lugar a uma paisagem classificada pela Unesco como Património Mundial, povoada de quintas tradicionalmente ligadas ao vinho. Com possível entrada pelo Porto, onde ficam as Caves do Vinho do Porto, uma boa maneira de descobrir a região é a bordo dum cruzeiro, que permitirá visitar alguns dos locais mais emblemáticos ligados á produção dos excelentes vinhos do Douro e do Porto.

A fundação de Portugal começou pelo norte, berço das mais antigas famílias nobres que ajudaram os nossos reis na conquista do território. Por este motivo, no norte, onde se produzem os vinhos verdes, encontramos inúmeros solares e casas senhoriais que, junto com os seus brasões, ostentam a mais aristocrática hospitalidade. Podemos instalar-nos em casas e quintas onde nos esperam provas de vinhos e outras experiências, como a visita a outros elementos do seu património. Nesta região ficam cidades históricas como Braga, Guimarães, Viana do Castelo e muitas outras, no litoral ou no interior, algumas delas à beira de rios que lhes acrescentam frescura e fascínio.

Na região Centro encontramos cidades patrimoniais como Viseu, Coimbra – recentemente incluída na lista do Património Mundial - Aveiro na costa, e ainda outros locais de charme como o Buçaco e termas centenárias. Também encontramos excelentes unidades de Enoturismo, algumas propriedade de antigas caves portuguesas, embora todas elas tenham acompanhado as atuais tendências de produção vínica e disfrutem dos mais modernos métodos de produção. São casas bem apetrechadas, que tiram partido da antiguidade do seu legado histórico, por vezes até com núcleos museológicos.

O Alentejo é uma região fértil em unidades de enoturismo, não fosse esta uma região onde se encontram vários dos principais produtores nacionais e a sua qualidade é apreciada em todo o mundo, tendo sido considerada como a melhor região vinícola do mundo para visitar em 2014 pelos leitores do conceituado jornal americano USA Today.  A vinha corre ao longo de extensas planícies e acompanha olivais e florestas de montado. É nesta paisagem de vastos horizontes que se inserem quintas e herdades produtoras de vinho com créditos firmados também na hospitalidade e na gastronomia por que são conhecidas. Com centro em Évora, outra cidade do Património Mundial que nos deixa encantados pela beleza e placidez do seu casco histórico, também nestas herdades podemos participar nas vindimas e observar as diferentes etapas de elaboração de um vinho. Também destaque especial merece Reguengos de Monsaraz, que em 2015 foi a cidade europeia do vinho e propõe muitas iniciativas a não perder como observações astronómicas com provas de vinhos, colheita de uvas para a criação de um vinho comemorativo, provas temáticas e jantares enogastronómicos.

Do outro lado do Atlântico destaca-se o Vinho Madeira que nos mais variados pontos do globo ganhou fama e prestígio, um verdadeiro “tesouro” que já no século XVIII era apreciado por reis, príncipes, generais e exploradores. Das mais de 30 castas diferentes, são de salientar as mais nobres – Sercial, Boal, Verdelho e Malvasia, este último representando o vinho doce, encorpado de perfume intenso e cor vermelha.  As vinhas, dispostas em socalcos sustentados por paredes de pedra, fazem lembrar escadarias, que nalgumas partes da ilha ligam o mar à serra em paisagens deslumbrantes.

Em suma, existe em Portugal, uma oferta muito qualificada de enoturismo, frequentemente associado ao turismo rural e a hotéis de charme em localizações privilegiadas. Além dos vinhos, podemos desfrutar de outros produtos de produção própria, como os frutos e compotas, queijos, azeites, doçaria artesanal e a própria gastronomia local. Muitas vezes de aspeto tradicional, não nos deixemos enganar pois trata-se de hotéis contemporâneos e de adegas e caves que investiram em avançada tecnologia, algumas com assinatura de reputados arquitetos nacionais.

Fonte: https://www.visitportugal.com/pt

 
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Argentina dá show de bola no Turismo

 

Enquanto o turismo do Brasil come mosca há anos, a Argentina investe no profissionalismo e planejamento do setor

Texto: Fabio Steinberg

RESSURGIMENTO – Argentina desperta para o turismo e o Brasil segue à risca o Hino e “dorme em berço esplêndido”

Alegria de uns, tristeza de outros. Este poderia ser o lema da situação da indústria de turismo do Brasil quando comparada à Argentina. Os dados não mentem: enquanto os hermanos do sul colhem bons resultados por seu trabalho profissional e bem planejado, aqui só nos resta correr atrás do prejuízo.

Tempo perdido

De acordo com a WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo) o Brasil ocupou em 2017 a vergonhosa 117ª posição em um ranking de 185 países. Enquanto isto, o turismo da Argentina ficou em 87% lugar. Nesta categoria, só estamos à frente de nulidades turísticas como a Venezuela – e isto porque o país vive uma triste crise político-econômica.

A pequena Costa Rica soube alavancar a indústria do turismo, que hoje já contribui com quase 13 % do seu PIB

Se considerarmos a participação da indústria do turismo no PIB (Produto Interno Bruto), a Argentina dá banho de desempenho. De acordo com a WTTC, o setor trouxe uma contribuição à economia de 3.7% (direta) e 10.3% (indireta). Aqui, não passou de 2.9% (direta) e 7.9% (indireta). Sem falar nos resultados excepcionais do México, onde o índice chegou a 16%, ou a Costa Rica com quase 13%. Ou a média global, que atingiu 10,4%.


Nada se compara ao México, que com maestra gera com o turismo 16% da renda do país, quando a média mundial é 10.4%

Brasil patina há décadas nos mesmos seis milhões de visitantes internacionais. É menos que os quase 7 milhões de visitantes da Argentina. E isto apesar do país ser menor e mais distante dos grandes centros emissores de turistas.

Brasil X Argentina

O que distingue os dois países neste quesito? Para começo de conversa, os argentinos trabalham com dados confiáveis, mercadoria inexistente ou rara no Brasil. Planejar nestas condições adversas seria como tentar construir um prédio sólido sobre areias movediças.

O segundo fator do nosso fiasco é a falta de seriedade com que a atividade é tratada pelos sucessivos governos. Por exemplo: os Ministros designados para o cargo não são do ramo. Usam a função como trampolim para saltos políticos mais ambiciosos. Mal aprendem onde fica a porta do banheiro da repartição e já abandonam a função por outra coisa melhor para eles.

Na Argentina a conversa é outra. O atual Ministro, o carismático Gustavo Santos, está no cargo desde 2015. Possui diversificada formação acadêmica em Letras, Turismo, Gestão de Empresas e Políticas de Estado. Além disso, vem de bem-sucedida carreira pública em Turismo durante oito anos, exercidos na província de Córdoba.

Um Ministro ativo

Santos esteve no Brasil recentemente para participar da WTM, a mais importante feira internacional de turismo da América Latina. A sua missão foi alavancar um plano de ação para ampliar o número de brasileiros que viajam à Argentina.

A encantadora Buenos Aires é o ponto de entrada de 72% dos brasileiros que visitam a Argentina

Ele não esteve em São Paulo para fazer discursos ou cortar fitas de inauguração de estande, mas sim para colocar as mãos na massa. Chegou munido de informações precisas sobre os brasileiros que entram em seu país. Por exemplo, ele sabia que são quase 1,3 milhão de viajantes vindos de 16 destinos brasileiros. E que 54% desembarcam de avião, 31% por terra e 15% por cruzeiros.  E ainda que 72% entram por Buenos Aires, 8% por Bariloche, e não mais que 1% se destinam a Salta. E por aí vai.

Desfederalização

Gustavo Santos quer mudar isto, em um processo que denomina “desfederalização”. Ou seja, evitar que a maioria das entradas ocorra pela Capital. Quer distribuir as chegadas dos brasileiros através de cinco pontos do país. A meta também é fazer o viajante permanecer mais tempo na Argentina. E também conhecer novos destinos, possível graças à integração entre aeroportos de Buenos Aires, Mendonza, Córdoba, Rosário e Bariloche.

Bariloche durante as temporadas de férias e neve atrai 8% dos brasileiros que vão à Argentina

Assim, ao invés de falar apenas sobre a manjada dupla Buenos Aires & Tango, a bola da vez passou a ser, por exemplo, a ascendente região de Jujuy. Com mais 800 mil visitantes por ano, fica próxima à Bolívia e Chile. Ali se concentram em poucos quilômetros de distância colinas multicoloridas, salinas, desertos, selvas, reservas da biosfera, parques nacionais, sítios arqueológicos, gastronomia e atividades ao ar livre.

Salta e entorno, apesar da natureza mágica e multiplicidade de atrações, é visitada por só 1% dos brasileiros

Lições portenhas

A dinâmica atividade do turismo na Argentina contrasta com o que ocorre no Brasil. Afinal, somos um país de privilegiados recursos naturais, com rica e diversificada cultura, e um povo hospitaleiro. Mas falta priorizar esta indústria como vetor de desenvolvimento. Não é para se ter inveja dos argentinos, mas humildemente aprender a receita do bolo com eles.

Fonte: https://steinberg.com.br


 
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Hospitalidade: mudança e evolução

 

Aviões, hotéis e navios sempre souberam se adaptar aos novos tempos, mas não podem perder o foco na hospitalidade

Texto: Fabio Steinberg

A ESSÊNCIA – seja qual for o tipo ou local da hospitalidade, o que importa é receber e saber servir

Dos anos 50 para cá, a história da hospitalidade é feita de mudanças e evolução. Aviões, hotéis e navios se adaptaram aos tempos e novo perfil dos clientes. Foi graças a esta radical transformação que  viagens e turismo deixou de ser atividade voltada para poucos para se tornar uma das mais prósperas indústrias da economia mundial.

O MUNDO NOS ANOS 50

Década de 50. O mundo respira, aliviado, o fim da 2ª Guerra Mundial. No entanto, as pessoas mal percebem a aproximação de duas novas guerras, menos convencionais. A primeira será comportamental. A outra, tecnológica. Ambas terão o poder de alterar a maneira como os homens vivem, e se relacionam entre si e com o planeta.

ANOS 50 – hospitalidade evolui enquanto o mundo se encanta com Gene Kelly em “Cantando na Chuva”

É nesta época que a televisão chega ao Brasil, a ciência comemora a descoberta do DNA, a vacina da poliomielite, e o lançamento pelos russos do satélite Sputnik. Na mesma década, o Brasil perde a Copa do Mundo para o Uruguai, para ganhá-la oito anos depois.

O rock and roll pega fogo, a bossa nova dá os primeiros passos. Gene Kelly dança no filme “Cantando na Chuva”, Fidel Castro lidera a revolução cubana e a boneca Barbie é inventada.

O mundo, agora em paz, permite que a economia se desenvolva e democratize o turismo, as viagens e a indústria de hospitalidade. É neste cenário que as primeiras companhias aéreas surgem. Nos anos seguintes voar deixará de ser coisa de elite para virar transporte de massa.

AVIAÇÃO COMERCIAL

TEMPOS HERÓICOS – difícil imaginar esta cena de desembarque dos anos 50 nos aeroportos atuais

As primeiras aeronaves, apesar de barulhentos e instáveis, eram confortáveis e luxuosas. Pilotos e atendentes de bordo eram privilegiados e invejados. Pegar avião era ato de coragem, pois segurança de voo ainda não era visto como prioridade. Mas nem mesmo a frequência de acidentes, inúmeras escalas, e o imenso tempo de voo afastaram passageiros. A aviação comercial, enfim, decolou.

“Foi provavelmente a época mais glamorosa, talvez só comparável à era dos dirigíveis”, avalia Adalberto Febeliano, profissional com 25 anos de experiência em aviação e Professor de Economia do Transporte Aéreo.

Para compensar os preços absurdos, a bordo talheres e pratos de alta qualidade e refeições caprichadas faziam parte do glamour. Com álcool liberado, era comum passageiros desembarcarem bêbados. Fumar em voo não só era permitido, como considerado charmoso. Banheiros espaçosos e áreas de convivência substituíam o entretenimento de bordo.

As companhias aéreas passaram a encomendar aeronaves desenhadas para a aviação civil, e não mais usar aviões militares modificados. Primeiro vieram os movidos a hélice. A seguir, os turboélices. Sempre que possível os quadrimotores para garantir se um ou mais deixasse de funcionar no ar.

SALAMALEQUES – com a evolução das companhias aéreas, vale tudo para atrair passageiro

Novas tecnologias viabilizaram jatos com maior autonomia. Nasce em 1958 o 707, primeiro jato de passageiros de sucesso, e que transformou a Boeing na maior fabricante de aviões do mundo. A fuselagem larga (wide body) permitiu o transporte de mais passageiros e carga. A redução de tarifas popularizou o transporte aéreo.

EVOLUÇÃO DOS HOTÉIS

Enquanto isto, a evolução dos hotéis a partir dos anos 50 não é menos fascinante. Com mais gente comprando carros, aumentaram as viagens tanto a trabalho e lazer. Esta nova clientela levou a repensar o modelo de negócios hoteleiro, até então com foco em cassinos.

SOBREVIVENTE – o Copacabana Palace, no Rio, é dos raros exemplares brasileiros da hotelaria  clássica

Este processo também ocorreu no Brasil, mas de forma um pouco diferente. “No pós-guerra, os projetos arquitetônicos trocaram a influência europeia clássica pelo modernismo norte-americano, com linhas limpas, fachadas em concreto, vidro e aço, edifícios altos”, explica Caio Calfat, respeitado consultor em hotelaria.

Com a presença crescente de famílias em viagem, os amenities se adaptaram ao novo hóspede. Surgem kits de costura, secadores de roupa retráteis nos banheiros, shampoos, entre outros agrados. A seguir vieram o minibar, máquinas de gelo e venda de mercadorias, room service e tevê a cores nos quartos.

O pagamento por cartão de crédito só se populariza nos anos 90. Logo depois o boom tecnológico viabiliza reservas pela internet nos sites dos hotéis. Finalmente, aparecem quartos com wi-fi, hoje item indispensável. Desde então, as mordomias se diversificaram, e a cada dia há novidades.

“A evolução da hotelaria proporcionou a segmentação, com a adoção de nova classificação em substituição às antigas estrelas”, explica Caio Calfat. Mas o essencial se mantém: boa cama, ducha, segurança, limpeza.

CRUZEIROS

Com os cruzeiros não foi diferente. De naves sofisticadas de alto luxo  reservadas a poucos, como o Queen Elizabeth 2, o setor se democratizou. Hoje, embarcações de proporções gigantescas como o Harmony of the Seas conseguem embarcar mais de 6 mil passageiros por viagem.

GIGANTE AQUÁTICO – o Harmony of the Seas, maior do mundo, embarca mais de 6 mil passageiros

A indústria de hospitalidade – em terra, ar ou mar – é um organismo vivo em contínua evolução. Como espelho, reflete hábitos, necessidades e interesses do cliente, cada vez mais globalizado e conectado. O desafio é entender e atender as exigências de um hóspede em mutação, e que detém o poder da decisão. Por isto, conquistar sua lealdade tornou-se vital.

WELCOME! – Os mariachis viraram símbolo da ótima receptividade no México

Fonte:  https://steinberg.com.br

 
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Como lidar com a grosseria alheia

 

Texto: Cristina Fernandes

A grosseria, normalmente designada como falta de educação ou má educação, constitui um modo de comportamento alheio que nos pode deixar aborrecidos, entristecidos, até mesmo furiosos. Em alguns casos, este comportamento desadequado pode chegar à agressividade e, por vezes, mesmo ao bullying.

Em contexto profissional, a grosseria consegue influenciar a produtividade, diminuir a colaboração e a solidariedade entre os membros de uma equipa e, portanto, gerar um impacto muito negativo sobre os relacionamentos e sobre o ambiente de trabalho.

Mesmo não existindo soluções milagrosas, creio, pois o comportamento alheio constitui uma variável não controlável e é influenciado por múltiplos fatores, ficam algumas sugestões:

  1. Comporte-se de forma irrepreensivelmente educada, até porque o modo como interage influencia muito o modo como é tratado pelos demais.
  2. Sendo alvo da má educação alheia, principalmente quando tal acontece no local de trabalho e de forma continuada, reaja. Por exemplo, conversando com a pessoa, em privado, e argumentando racionalmente, ouvindo (e tentando compreender) os argumentos da outra parte.
  3. Fique atento ao comportamento futuro dessa pessoa, verificando se houve alguma alteração efetiva, ou não.
  4. Na eventualidade de uma mudança de comportamento ser, de todo, inviável, concentre-se em diminuir ou, de preferência, ignorar o efeito que a grosseria lhe causa (por exemplo, avalie se a rudeza é pontual ou acontece sistematicamente, se constitui um registo de comunicação dessa pessoa para com todos com quem interage ou, especificamente, para consigo).
  5. Peça aconselhamento a alguém da sua confiança, no sentido de o ajudar a lidar com a situação e, eventualmente, a encarar o tema numa perspetiva mais neutra.

A grosseria no comportamento pode advir da insegurança, pode ser uma forma de demonstrar poder sobre os outros, pode ser resultante de stress, de frustração, de incapacidade de lidar com os próprios sentimentos, entre milhares de outros motivos. No extremo, e caso a situação não se altere, pode sempre usar uma “arma” extraordinariamente poderosa: ignorar essa pessoa ou, se tal não for possível, ignorar o seu comportamento. Afinal, as atitudes ficam com quem as pratica…

Fonte: www.cristinafernandes.com

 
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Dicas para aproveitar ao máximo o home office

 

Regulamentado na recente legislação trabalhista, o home office é uma maneira eficiente para as empresas reduzirem custos e recrutarem os melhores funcionários em qualquer lugar, sem limitação geográfica. Para os empregados, os custos com transporte e alimentação fora do lar ficam menores. Mas essa prática requer cuidados para não se tornar um problema para a empresa.

Uma das preocupações mais recorrentes dos empregadores é a queda na produtividade de quem trabalha remotamente. Não é o que atesta o empreendedor americano Jason Fried no livro Remote: office not required, de 2013. Segundo ele, quando o encontro diário do escritório sai de cena, o funcionário deixa de ter status simplesmente por aparecer pontualmente e passa a ser avaliado pelo que realmente importa: o rendimento e a entrega diários.

Além disso, segundo o estudo recente Global Evolving Workforce, patrocinado pela Dell, que entrevistou quase 5 mil pessoas de 12 países sobre a relação com o trabalho, mais da metade dos brasileiros pesquisados são mais produtivos ao trabalharem em casa, ao se sentirem menos ansiosos e estressados. A chave é primar pela eficiência e pelos objetivos cumpridos.

É o que acontece com os funcionários de empresas como a startup Viajala.com.br, buscador de voos e hoteis que possui colaboradores espalhados por vários países, sem um escritório que os centralize fora da Colômbia, sede da companhia

“Quem quer expandir internacionalmente, não tem saída que não seja o home office. O mais importante é não enrolar. Se os funcionários são disciplinados, focados e possuem um espaço silencioso para trabalhar, vai dar certo”, explica Thomas Allier, CEO do Viajala. A empresa tem três milhões de usuários mensais nos oito mercados onde atua e prevê crescimento das operações.

“Também é importante organizar o trabalho de quem está em fusos horários diferentes de forma que, ao menos em algumas horas do dia, todos os funcionários estejam conectados. Assim, haverá mais sintonia entre eles”, conclui.

Confira os principais cuidados exigidos por uma vida profissional de sucesso no Home Office de empresas internacionais e quais as lições aprendidas por quem trabalha remotamente.

1. Estabeleça horários com disciplina. Por estar em casa, é tentador ficar mais tempo na cama, enrolar na hora do almoço ou assistir um episódio de série no horário do expediente. Para render bastante sem perder o foco, é importante respeitar uma rotina profissional: acordar sempre no mesmo horário, tomar banho, fazer café e “bater o ponto”, ainda que isso signifique apenas ligar o computador.

2. Invista em um local fixo e equipado de trabalho. Organize um escritório com tudo o que você precisa no seu dia-a-dia: uma cadeira confortável, uma mesa funcional, material de escritório, wifi potente, garrafa de água, snacks, etc. Trabalhar cada dia de um cômodo diferente da casa é pouco profissional, já que fica mais difícil separar quando você está realmente trabalhando e quando está apenas com seu computador ligado, fazendo outra coisa. Levantar a todo instante para buscar algo fora do escritório – uma caneta, um copo de água, papeis e anotações – também pode afetar o rendimento.

3. Comunique aos amigos e familiares que você não está à disposição. Para quem mora com você, pode ser difícil entender que você está, sim, em casa, mas não está de férias e nem disponível para resolver problemas, fazer compras ou sair para um chope no meio da tarde. É preciso deixar claro qual é o seu horário de expediente e explicar que ficar puxando assunto ao seu redor é tão desagradável quanto ficar ligando para o escritório da sua empresa para bater papo.

4. Lembre-se de sair de casa de vez em quando. Se você trabalha em casa, acaba almoçando em casa, fazendo um café em casa e resolvendo tudo por telefone. Nesse modo de vida, existe um risco alto de você passar dias sem ver a luz do sol. Marque almoços com amigos, tome café na padaria, caminhe ou pedale na rua, resolva pendências pessoalmente.

5. Caso se sinta sozinho, mude de ambiente. “Trabalhe de bibliotecas públicas, cafés tranquilos ou opte por coworkings para ter mais contato com as pessoas. Isso ajuda a afastar essa sensação de isolamento”, recomenda Thomas Allier.

6. Exercite sua concentração. Aproveite para se livrar do que você não gosta no ambiente de trabalho – muito movimento, telefone tocando, conversas em tom alto, reuniões a toda hora -, mas cuide para não substituir isso tudo por outras distrações, como o seu sofá confortável, seu cachorro, seu gato, seu Netflix…

7. Deixe a casa organizada. Se o seu ambiente de trabalho é a sua moradia, ele precisa ter a seriedade de um escritório. Mantenha a casa limpa e as coisas nos seus lugares. Bagunça ao seu redor vai gerar procrastinação e falta de foco.

8. Saiba encerrar o expediente. Por já estar em casa, você pode acabar estendendo seu expediente (resolvendo problemas, respondendo e-mails…) só porque já está com o computador aberto mesmo. Segundo o americano Jason Fried, o verdadeiro desafio dos gerentes é lidar com funcionários remotos que trabalham demais, e não o contrário.

Para o empresário, quando a pessoa sente que está rendendo, acaba alongando o dia de trabalho, já que a sensação de produtividade é boa. Sempre haverá demanda, mas isso não quer dizer que você precise resolvê-la imediatamente. Separe o que é urgente do que não é e se desconecte. Tão necessário quanto ter disciplina para começar o expediente é ter disciplina para terminá-lo, ou você vai acabar trabalhando 24 horas sem nem perceber.

Fonte: www.administradores.com.br

 

 
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Por que ninguém viaja para o Brasil?

 

Enquanto o turismo cresce no mundo, o Brasil inteiro recebe menos visitantes que Miami. Onde estamos errando?

Por Betina Neves

Se você já passou o fim do ano em Búzios, Floripa ou Morro de São Paulo, provavelmente reclamou da multidão de argentinos e uruguaios invadindo nossa praia. Parece que tem gringo demais tirando férias por aqui, certo? Errado.

O mundo está viajando cada vez mais, é verdade. De acordo com o relatório do World Travel & Tourism Council (WTTC) de 2016, o turismo cresce há cinco anos consecutivos mais do que a economia global, principalmente nos países emdesenvolvimento. Mas o Brasil não está nesse bonde: estamos na casa dos 5 milhões de turistas internacionais desde 1998. Ou seja, se a nossa economia vive uma recessão nos últimos anos, o turismo já está assim há quase duas décadas.

Pior: mesmo contando com mais praias do que uma família seria capaz de conhecer em cinco gerações e tendo tantas belezas naturais quanto Miami tem de brasileiro, o País não está nem entre os 40 mais visitados do mundo. Perdemos até para Miami, que é destino de mais de 7 milhões de turistas por ano. Mesmo o Coliseu (4 milhões de visitantes anuais) recebe quase tanta gente quanto o Brasil todo.

“Sim, mas se você mora na Europa é só pegar o carro para visitar o Coliseu. OBrasil não é tão acessível assim”, diria algum advogado do diabo de plantão. Mas não, excelência.

A África do Sul, que não é exatamente o lugar mais acessível da Terra, atingiu recentemente a marca dos 10 milhões de turistas. A Tailândia, distante para europeus e americanos, 28 milhões.

O México, que só fica perto mesmo dos EUA e do Canadá, 30 milhões.

O Peru, aqui ao lado, experimentou um crescimento de 340% no número de turistas nos últimos 15 anos, saltando de 800 mil visitantes para 3,5 milhões, enquanto o Brasil permaneceu estagnado. E no fim seguimos com menos turistas que países como Tunísia e Bulgária.

Tudo isso forma um cenário ainda pior do que parece. O turismo é cada vez mais importante na economia global, e na economia do Brasil não é diferente. Só em 2015, o setor gerou mais de 2,6 milhões de empregos diretos por aqui. Sem falar que o Brasil aparece em décimo lugar no ranking da WTTC, que compara a relevância do turismo no PIB dos países. A questão é que 94% dessa participação provém de viagens domésticas, de nós mesmos indo curtir o verão na Bahia e o inverno em Gramado. “Temos um turismo interno relativamente forte, mas nosso potencial internacional é um dos menos aproveitados do mundo”, diz Vinicius Lummertz, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

A Embratur foi criada em 1966 para cuidar de tudo que diz respeito a turismo no Brasil, desde capacitação de pessoal a obras e divulgação. Com a implantação do Ministério do Turismo em 2003, ela passou a se dedicar exclusivamente à promoção do Brasil como destino no exterior. Isso é feito com participação emfeiras, financiamento da vinda de jornalistas estrangeiros, campanhas de marketing e produção de conteúdo escrito e audiovisual.

O órgão teve US$ 17 milhões para trabalhar em 2015 e conta com 13 escritórios no exterior (na Argentina, Peru, Holanda, Alemanha, Espanha, França, Itália, Portugal, Inglaterra, Japão e três nos Estados Unidos).

Nossos vizinhos latinos gastam bem mais: o Peru tem 38 escritórios ao redor do mundo, e o órgão federal de promoção mexicano gasta US$ 50 milhões. E vão muito além de aparecer numa feira: a PromPeru, agência de promoção peruana, faz acordo com marcas para realizar ensaios de moda usando o país de fundo e chegou a fechar uma parceria com a Rede Globo para que Machu Picchu aparecesse na novela Amor à Vida, de 2013. “O Brasil não tem nem filminhos promocionais passando nos aviões das companhias aéreas estrangeiras que operam por aqui”, diz Guilherme Paulus, sócio-fundador da agência de viagens CVC e membro do Conselho Nacional de Turismo do Governo Federal.

Quem não aparece não é visto

A vinda de grandes eventos esportivos deveria turbinar o turismo, mas a Copa acabou tendo um efeito apenas pontual (um salto para 6,4 milhões de visitantes em 2014 – 30% mais do que a média). O Brasil não fez a lição de casa de comunicação e marketing e esperou que os jogos agissem por si só. Para as Olimpíadas, a ação mais poderosa foi a isenção de visto para americanos, canadenses, australianos e japoneses entre 1º de junho e 18 de setembro. “Desde os Jogos Pan-Americanos em 2007, o Brasil tem tido um alto grau de exposição, mas por falta de projetos especiais de divulgação isso está sendo mal aproveitado”, explica Ricardo Uvinha, professor do programa de pós-graduação em turismo da USP.

A imagem do Brasil no exterior acaba manchada pelo noticiário negativo: em vez de praias, cachoeiras ou cidades históricas, o que mais se vê lá fora sobre nós tem a ver com violência, crise econômica e desastres como o de Mariana. No Foreign Travel Advice (“conselhos para viagens ao exterior”), uma ferramenta online do governo britânico que analisa cada país em relação à segurança, o Brasil aparece com “alto nível de criminalidade”, com menção a arrastões, assaltos com arma de fogo e roubos em caixas eletrônicos. São citadas também manifestações políticas violentas e risco de zika.

A imagem do Brasil no exterior acaba manchada pelo noticiário negativo: em vez de praias, cachoeiras ou cidades históricas, o que mais se vê lá fora sobre nós tem a ver com violência, crise econômica e desastres como o de Mariana

A divulgação fraquinha une-se à falta de informação na internet para travar a vinda dos gringos. Olhando a relação dos dez destinos mais visitados, ela quase que se limita a cidades sem belezas naturais, com São Paulo, Porto Alegre e Brasília, que dividem a lista com Búzios, Foz do Iguaçú e o Rio, líder (merecido) entre os nossos destinos mais visitados. Chapada Diamantina, Bonito ou os Lençóis Maranhenses, que, convenhamos, não têm menos potencial turístico que Brasília ou Porto Alegre, nem aparecem na lista.

Isso acontece porque os turistas estrangeiros mal sabem que esses destinos existem. E a culpa não é deles.

As agências de turismo especializadas em destinos brasileiros não têm sites em inglês, muitos hotéis e pousadas não estão presentes nas ferramentas de reservas globais, como o Booking.com, horários de balsas e ônibus não constam na internet. Para um estrangeiro descobrir como ir do aeroporto de Campo Grande a Bonito ou de Fortaleza até Jericoacoara, por exemplo, vai levar uma canseira do Google até encontrar uma informação confiável.

Isso reflete a falta de preparo geral do País para receber visitantes, o que vai da sinalização monoglota nas ruas e no transporte público até garçons, taxistas e guias que não falam língua alguma que não seja o português. Falar um inglês excelente não é imprescindível – bambambãs do turismo como Itália, China e Tailândia também têm problemas com o idioma. No Brasil, porém, a maior parte dos profissionais de serviços ignora os rudimentos mais básicos do idioma. Aí complica.

Burocracia, sempre ela

A infraestrutura ruim também não ajuda. Dos 1,7 milhão de quilômetros da nossa malha de estradas, pouco mais de 10% são asfaltadas. Some isso à virtual ausência de transporte ferroviário, e você tem um pesadelo logístico. Aviões são uma alternativa, naturalmente. Mas voar aqui sai caro. É que não temos companhias aéreas low-cost (de baixo custo), como acontece na Europa, nos EUA e na Ásia. Nelas o serviço é reduzido a basicamente o transporte; qualquer extra (como marcação de assento, despacho de mala, comida, impressão decartão de embarque e até SMS informativo) é cobrado à parte, permitindo que a empresa jogue os preços das passagens lá embaixo. “No Brasil, além da carga tributária elevada, as aéreas enfrentam um excesso de regulamentação, já que esse modelo ‘simples’ é proibido”, diz o advogado Guilherme Amaral, especialista em direito aeronáutico.

A falta de infra atinge em cheio os parques nacionais, que seguem lindos, mas quase às moscas. Apesar de o Brasil ter sido considerado pelo Fórum Econômico Mundial como o país com maior potencial turístico em recursos naturais no mundo, nossos 71 parques nacionais receberam 7,1 milhões devisitantes em 2015 – sendo que 2,9 milhões se concentraram no Parque Nacional da Tijuca, encravado na área urbana do Rio. Para comparar: os 59 parques nacionais dos EUA receberam 307 milhões de turistas no mesmo período.

Aí não pesa só o isolamento turístico do Brasil, já que tanto aqui como nos EUA o grosso dos visitantes de parques nacionais são turistas nativos. Mas a discrepância deixa claro outro problema nosso. Aqui, os parques são mais encarados como unidades de proteção ambiental do que como atração turística: poucos têm trilhas sinalizadas, guias, hotéis e transporte com preços competitivos.

Para piorar, quem pensa em abrir um negócio de turismo também tem pouco incentivo, dada a dificuldade de empreender no Brasil: no último relatório do Banco Mundial, o país aparece na 116ª posição na lista dos países nos quais é mais fácil abrir e conduzir uma empresa.

O setor de cruzeiros é um dos que mais sofrem. Em 2010, chegamos a ter 20 navios viajando pela costa brasileira. O número caiu pela metade em 2015 e, para a temporada de 2016, a previsão era de míseros seis navios. Isso porque quase todos os processos que envolvem a realização de um cruzeiro são caros e complicados, desde a aprovação da construção de um porto à contratação do prático (o“manobrista de navio” – aquela que talvez seja a profissão mais inflacionada do Brasil, com ganhos que chegam a R$ 300 mil por mês).

“Operar um porto aqui tem custos 20 vezes maiores do que em outros destinos. Hoje estamos perdendo nossos navios para China, Austrália, Caribe, Dubai”, diz Mario Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos.

Além de tudo isso, o Brasil continua sendo um país quase tão fechado e protecionista quanto era na época da ditadura militar, já que impõem impostos extorsivos ao capital estrangeiro.

O último Índice de Abertura de Mercados, publicado em setembro de 2015 pela Câmara de Comércio Internacional (CCI), coloca o Brasil na 70ª posição entre 75 países, ficando atrás da Argentina, Nigéria e Uganda (o ranking é organizado por grau de abertura comercial, da maior para a menor). Dessa forma, recebemos menos investimentos de fora do que poderíamos. “E isso atrapalha o turismo. Um exemplo é Brasília não ter Hyatt, Hilton ou Sheraton, grandes nomes da hotelaria mundial”, diz Vinicius, da Embratur. Essa atitude conservadora reflete também na burocracia para entrar no País. O governo defende a reciprocidade, ou seja, que nós exijamos visto dos países que o requerem para nós. A prática é comum no mundo todo – não se trata de uma aberração do Itamaraty.

Mas é fato que requisitar visto de Japão, Austrália, Canadá e, principalmente, dos EUA e da China diminui consideravelmente a chance de esses turistas virem passar as férias por aqui – péssimo negócio se você levar em conta que chineses e americanos são os viajantes que mais gastam no mundo. “O fim da reciprocidade diplomática beneficiaria a nossa economia”, diz Mario Ferraz. Ou seja: estamos rasgando dinheiro para manter o improdutivo olho por olho da diplomacia.

Tendo em vista essas dificuldades todas, então, já dá para considerar heróis os 5 milhões de turistas que chegam ao Brasil. E o que eles pensam do País depois de passar uma temporada por aqui? Bom, de acordo com uma pesquisa do Ministério do Turismo feita em 2014, no fim da viagem, 95% deles demonstram intenção de voltar. Ou seja, mesmo com todas as adversidades, conseguimos conquistar quem vem. Resta fazer com que mais gente venha.

Os problemas do Brasil

1. Portos ruins

Aportar no Brasil sai 20 vezes mais caro do que lá fora. Culpa do mau estado dos portos e da burocracia. Nisso, os cruzeiros fogem daqui.

2. Parques largados

Dos nossos 71 parques nacionais, poucos têm trilhas sinalizadas, guias, áreas decamping e pousadas. Resultado: eles recebem só 7,1 milhões de visitantes por ano, contra 307 milhões nos dos EUA.

3. Despreparo

A sinalização monoglota e a falta de prestadores de serviço que se comuniquem em inglês podem complicar a vida de um turista, e estão entre os porquês derecebermos poucos visitantes.

Fonte: Revista Super interessante  https://super.abril.com.br

 
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Como economizar sem comprometer a qualidade do seu evento

 

Eventos corporativos ainda são um dos melhores recursos para sua empresa se aproximar dos clientes, prospects e público e criar oportunidades de proporcionar a eles experiências memoráveis.

Texto de Silvia Zillo

Não à toa, o último estudo da Associação de Marketing Promocional (AMPRO), indicou esta ferramenta no topo do ranking das que fazem parte do investimento das empresas.

No entanto, a organização de um evento, seja ele um encontro mais informal ou um grande congresso exige o cuidado com detalhes que, se deixados de lado, podem comprometer o resultado final e acabar com experiências negativas que, com certeza, sua empresa não vai desejar.

Mas como realizar um bom evento quando o orçamento é limitado? Quando isso acontece, o melhor a fazer é usar a criatividade e ter certeza de possuir bons fornecedores com preços competitivos. E se a ideia é economizar, é preciso saber quando a “economia” não irá se tornar um gasto desnecessário. Veja algumas dicas:

- Tenha uma agência parceira de (muita!) confiança. Nem sempre o menor preço é sinônimo de economia. Muitas vezes o melhor é ouvir a voz da experiência de quem está no mercado só para executar esse tipo de serviço e já tem o caminho para o fornecedor mais adequado, mesmo que seja para acrescentar uns valores a mais no final do projeto.

Já aconteceu de um cliente, na visita técnica, querer utilizar as cadeiras do local para compor as mesas do jantar ao invés de locar cadeiras de fora, apenas por economia. Foi dito que o ideal seria locar cadeiras menores e que tivessem mais a ver com o tipo do evento, já que as do espaço, além de grandes demais, eram muito formais. Ainda assim, a resposta foi negativa.

No dia do evento, o espaço já montado com as mesas e as cadeiras ficou muito apertado e não ficou bonito. Quase não era possível caminhar entre uma mesa e outra. O resultado? No próprio dia do evento, pouco tempo antes do início, tivemos que ligar como loucos para fornecedores de cadeiras e ver se conseguíamos a quantidade em tempo hábil para entrega. Conseguimos, porém o custo acabou sendo maior do que se tivéssemos locado com antecedência.

- Cuidado com determinados itens. Dependendo do item do evento, não se deve economizar no sentido de querer o melhor preço. São exemplos a cenografia, o gerador (que é sempre necessário, independentemente do uso) e a projeção. Estes itens são de muita importância e ter um fornecedor que cobre barato, muitas vezes não significa economia. No caso do gerador, investe-se para tê-lo porque, caso venha ser necessário, é um item que vai salvar o evento.

- Segurança é fundamental. Especialmente para congressos e feiras, é imprescindível a presença deste profissional em todos os momentos, principalmente no período noturno. Se é um stand com muitos itens do próprio cliente ou mesmo algum item de valor do fornecedor do stand (uma iluminação, algum equipamento eletrônico etc), segurança é essencial para que nada seja furtado. Um problema desse tipo por economia desnecessária pode custar um preço alto, muito alto.

Cada evento é único e ao analisar a planilha de orçamento, é comum a decisão de cortar itens quando o valor ultrapassa o budget. Nesta hora, é necessário estar atento ao que não deve ser cortado para evitar consequências desagradáveis durante a montagem ou até mesmo no evento, pelo simples fato da “economia”.

Nem sempre o mais caro é o melhor, porém é fundamental termos as melhores referências, tanto do fornecedor que está sendo contratado e até mesmo da agência que se contratou.

Planejamento! Sabemos que mundo perfeito não existe, porém, o ideal é sempre podermos planejar o evento com antecedência para que, assim, consigamos otimizar ainda mais os custos de um evento. Planejar com antecedência garante melhores negociações com todos os fornecedores envolvidos, pois a demanda da concorrência ainda será menor.

Fonte: www.revistaeventos.com.br

 
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Eventos e festas: a crise passa longe

 

A crise não parece ter derrubado o espírito festeiro do brasileiro que, no ano passado, gastou R$ 16,8 bilhões com festas — incluindo casamentos, formaturas, aniversários, celebrações de debutantes e eventos corporativos conforme dados da Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta). A entidade também divulgou pesquisa do setor, ‘O Mercado de Eventos Sociais: indicadores sobre a oferta e a demanda’.

O estudo aponta que o mercado de festas e cerimônias cresceu nos últimos anos e estima-se que tenha atingido R$ 16,8 bilhões no ano passado. A região Sudeste foi responsável por metade dos gastos com festas e cerimônia, com R$ 8,6 bilhões, seguido pelo Nordeste (R$ 3 bilhões), em terceiro está o Sul (R$ 2,9 bilhões), Centro-Oeste (R$ 1,3 bilhão) e Norte (R$ 1 bilhão). Somente os eventos ligados a casamentos ultrapassaram a marca de um milhão por ano no País. Com mais renda e maior acesso a serviços, as regiões Sudeste e Sul têm a maior taxa de casamento formal. Os casamentos civil e religioso chegam a 70% no Sudeste e a união consensual a 30%. Já no Sul, 66% e 34%, respectivamente. No Nordeste 58% (casamentos civil ou religioso) e 42% (união consensual).

Sem dúvida, na lista dos eventos mais aquecidos do setor estão os casamentos — o Brasil registra mais de 1 milhão por ano — e as festas de debutantes são crescentes entre as meninas — com um potencial de dois milhões de pessoas por ano.

Potencial de cada evento

Casamentos – As faixas etárias que concentram o maior “potencial” de casamentos ocorrem na faixa entre os 20 e 39 anos. Esta faixa etária concentra 75% dos matrimônios realizados no País, média, de acordo com o levantamento que utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE. Os solteiros nestas faixas etárias (20 a 39) movimentam hoje no Brasil aproximadamente R$ 793 bilhões. Sendo que somente a classe média movimenta R$ 328 bilhões.

Debutantes – As festas de 15 anos são comuns entre as meninas. É um mercado com potencial de dois milhões de pessoas ao ano. No Brasil cerca de 1,8 milhão de meninas farão 15 anos em 2015. E a massa de renda das famílias com meninas nesta idade chega a R$ 4,3 bilhões no País. A maior parte das meninas de 15 anos pertencem a classe C (com 894.639), 50% do total. Classes D/E (com 606.938) e 34% do total. E, por último as classes A/B (com 282.519) com 16% do total.

Universitários –  O número de universitários cresceu fortemente, ampliando a demanda por festas de formatura: são quase 7 milhões no Brasil. Cerca de 6,8 milhões estão atualmente cursando algum curso de graduação no país. A massa de renda das famílias com jovens na graduação chega a R$ 30 bilhões. Os jovens cursando a universidade em sua maioria são das classes A e B (47%), seguido da classe C (46%), D/E (7%).

 

Fonte: http://www.revistamaismateria.com.br

 

 
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3 simples motivos que geram reuniões improdutivas

 
Breve reflexão acerca de três razões que podem gerar reuniões improdutivas, que não agregam valor à Organização

Por Solana Menezes

 

Não é por acaso que Peter Drucker é considerado o “pai da Admnistração moderna”. E dentre seus pensamentos e escritos, não posso deixar de concordar com esta ilustre e verdadeira conclusão:

“As reuniões são, por definição, uma concessão a uma organização deficiente. Ou se trabalha, ou faz reuniões. Não dá pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo”

(Peter Drucker)

Confesso que decidi escrever um pouco sobre este tema como uma forma de desabafo e uma certa dose de irritação. Pois, em um curto período de menos dois meses, fui convocada para sete reuniões, na tentativa de resolver um problema identificado em um determinado processo. O motivo de minha irritação? Obviamente, além do tempo perdido nestes encontros improdutivos, é a impaciência em constatar que o problema poderia ser facilmente resolvido em apenas um encontro, como de fato aconteceu.

Assim, parei para analisar três simples motivos que geram o fracasso de muitas reuniões:

1 – Não convocar as pessoas certas

Este é um fato muito interessante e extremamente importante para a produtividade da Reunião. Antes de marcar o encontro, verifique quem são as pessoas que estão diretamente envolvidas no assunto a ser abordado. Não faz sentido algum, colocar uma dúzia de pessoas para debater um tema, em que somente meia dúzia conhece o assunto e pode agregar valor à discussão. Portanto, convide somente as “pessoas-chave” do tema abordado no encontro.

2 – Fugir do tema central da reunião

É importante que o roteiro esteja bem definido,  e que todos os convidados tenham conhecimento prévio do que será discutido no encontro. O líder/coordenador da reunião deve ser objetivo  ao conduzir o debate das idéias, bucando sempre manter o foco na pauta e no tempo das discussões de cada item.

3 – Não delegar corretamente as pendências

A maioria das reuniões sempre deixa um “dever de casa” para alguns, ou todos, os participantes. Porém, quando não fica claro qual a tarefa que deve ser executada e o prazo de resposta, há uma grande chance da reunião ter sido improdutiva. Visando resolver esta questão, é interessante reservar uns 5 minutinhos no final da reunião para repassar as pendências, mesmo que elas sejam enviadas (e devem ser!) na minuta posteriormente.

Simples assim!

Obviamente que na grande rede e nos diversos livros de Administração e Gestão, deve haver inúmeras dicas e idéias para aumentar a produtividade das reuniões. Porém, na prática pude observar que pequenas mudanças como estas que foram relacionadas, são capazes de grandes resultados, e o tempo gasto nas inúmeras reuniões que lotam nossa agenda, poderia estar sendo utilizado no desenvolvimento de outras tarefas e projetos, que agregam valor à organização e ao nosso crescimento pessoal e profissional.

#FicaADica !

Fonte: www.administradores.com.br

 
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